"O teatro é uma arma e é o povo que deve manejá-la."
Augusto Boal

A naúsea é resultado de excessos...

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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Vermelho Carmim


Fruto de estudos sobre Teatro do Oprimido, o esquete traz um pouco do histórico de casos de violência contra mulher, numa performance de teatro jornal, nos mostra que vida real e ficção se perdem no tempo contando sempre a mesma história, desafiando leis e até mesmo o universo familiar. Amor, submissão, dor, um corpo, onde vamos chegar?
Concepção Cênica:
Baseado na linguagem do teatro do oprimido e, tendo como elemento unificador o teatro jornal, o qual há deslocamentos narrativos da ação dramática em torno de noticias de jornais referente a agressão contra a mulher. O espetáculo mostram dois atores que se desdobram para contar historias reais de mulheres que sofreram agressões de homens e paralelo uma estória de uma mulher que também viveu algo parecido.
O cenário será composto por elementos cênicos tais como jornais jogados no chão, levando o espectador a uma atmosfera que a mídia atualmente proporcionar os leitores e até mesmo os telespectadores uma imensa quantidade de informações jornalísticas, que acabam tirando do à atenção de noticias serias e levando o foco do leitor ou telespectador para outro ponto. Além disso, a o cenário será transformado em outros ambientes, tais como; a sala de uma sala estar de uma casa, uma delegacia, uma rua com os carros parados em um semáforo. Esses efeitos serão feitos com a luz e sons.
Outros elementos cênicos iram fazer parte dessa composição cênica, que serão a presença da cor vermelho como signo de amor, sedução, luxuria, tristeza, morte, dor e a flor que é tão linda, bela e singela, por trás dessa sutileza guarda espinhos capazes de ferir e por que não levar até mesmo a morte? Caneta e papel complementaram a composição de um ambiente hostil que é a delegacia.
O figurino terá uma cor creme, trazendo uma neutralidade e ao mesmo tempo dando foco aos outros elementos do figurino que terão a cor vermelha, serão um chalé e gravata.
Dessa forma, toda a concepção do espetáculo parte da intenção de gerar no espectador a necessidade de construir sentidos para as proposições lúdicas que se apresenta na construção das cenas a ser contada. A qualidade imagética do espetáculo é composta, essencialmente, pelo detalhamento minucioso dos figurinos e adereços. Neles, estarão transpostos elementos semânticos que provocam a localização e a situação das ações.
No campo musical iremos usar a musica “As rosas não falam” interpretada por Cartola, o qual levará para um ambiente agradável e propicio para uma dança de bolero.
O esquete Vermelho Carmim tem como principal função não levar apenas uma critica as hostilidades que as mulheres ainda hoje sofrem por seu parceiros, mais também trazer ao espectador essas histórias de forma lúdica e poética, por mais tristes que sejam.

Ação Corporal: Matéria do Ator * Roberto Mallet

A obra de arte é uma complexa composição de forma e matéria. A maneira mais simples de ver isto é no clássico exemplo do oleiro, que imprime a forma do vaso na argila.

Matéria é tudo aquilo de que alguma coisa é feita. Um quadro de Picasso é feito, digamos, de madeira, tecido, tintas. Uma sinfonia de Beethoven é feita dos sons dos diversos instrumentos e das execuções dos músicos. Um filme de película e de luz. (1)

Forma é a maneira como a matéria é organizada, sua estrutura. É uma forma o que o escultor imprime ao bronze. São formas o que Picasso inscreve com tinta em suas telas. A disposição das palavras é a forma do poema. De outro ponto de vista ela é o princípio estrutural da obra (a concepção, a idéia – eidos). A forma não é uma figura estanque; ela tem um dinamismo interno que organiza a matéria conformando assim a obra.

E no caso do ator? O que é matéria e o que é forma na atuação?

A matéria do ator é fundamentalmente seu próprio corpo. As ações que ele realiza conformam esse corpo.

Sua matéria é um organismo vivo, composto por tecidos e órgãos, com um cérebro capaz de armazenar e processar um número incalculável de informações. Por não ser exterior ao ator – ao contrário, o corpo é o próprio ator –, essa materialidade está em constante interação com o psiquismo. Um movimento corporal terá ressonâncias na memória e nos sentimentos, assim como uma lembrança ou um pressentimento têm ressonâncias corpóreas.

A forma de uma atuação é a composição das diversas ações realizadas. É a estrutura de tensões e relaxamentos musculares, o jogo de vetores e contra-vetores que o ator executa com seu corpo, e que resultam em um texto legível.

Podemos, numa outra instância, considerar todas as possibilidades de ação corporal como matéria para o ator. Essa ação, que era forma no extrato anterior, faz parte agora de um novo composto, o corpo agindo, que passa a servir de matéria para a criação poética (2). As diversas maneiras de olhar, por exemplo, apresentam-se ao ator como opções para a composição da cena. Ao realizar uma dessas possibilidades no contexto da cena, ele cria uma nova forma, agora no plano ficcional.

O primeiro extrato é concreto, o segundo abstrato; as ações do ator pertencem ao primeiro, as da persona (3) ao segundo. Fazendo uma analogia com a literatura, as ações corporais correspondem às palavras, as ações ficcionais ao significado.

Quando por exemplo um ator representa Otelo assassinando Desdêmona, o que acontece concretamente é uma série de movimentos e tensões realizados pelo corpo do ator em relação com a atriz e com a corporalidade da cena como um todo. O assassinato de Desdêmona (e todas as “realidades psíquicas” que o acompanham) se dá num plano ficcional, espectral. Ou, dito de outra maneira, o assassinato se dá concretamente na imaginação dos artistas e dos espectadores envolvidos na representação.

A forma da obra do ator é então, do ponto de vista da encenação, a composição das ações ficcionais realizadas pela persona; do ponto de vista da atuação a composição das ações corporais realizadas pelo próprio ator ao longo da encenação.

Uma vez que a atuação (como todas as artes espetaculares) só existe enquanto está sendo realizada diante de um público, a sua materialidade não se limita às ações corporais – ela inclui a própria pessoa do ator. O que o espectador vê não é apenas a persona agindo. Ele vê o ator “jogando” (realizando) essa ação dentro do contexto poético. E vê ainda a relação pessoal que o ator estabelece com a poética e com o conteúdo da obra, vê o sentido que ela faz para ele.

A arte da representação é reveladora. Todo ação realizada em cena nos fala não apenas dela mesma; ela também nos fala do homem que realiza essa ação. O ofício do ator é, como dizia Dostoiévski do seu ofício de escritor, “mostrar o homem no homem”. Através da ação.



* Publicado na Revista do 17º Festival Universitário de Teatro de Blumenau, 2004, págs. 47-48. [volta]

(1) Esta noção de matéria corresponde ao que Fayga Ostrower chama de materialidade: “Usamos o termo MATERIALIDADE, em vez de matéria, para abranger não somente alguma substância, e sim tudo o que está sendo formado e transformado pelo homem. Se o pedreiro trabalha com pedras, o filósofo lida com pensamentos, o matemático com conceitos, o músico com sons e formas de tempo, o psicólogo com estados afetivos, e assim por diante. Usamos o termo na qualificação corrente “natureza do que é material” (...), ampliando contudo o sentido de ‘material’.” (OSTROWER, Fayga. Criatividade e Processos de Criação. Imago Ed. Ltda., Rio de Janeiro, 1957, pág. 31-2. Os grifos estão no original.) [volta]

(2) Portanto todo treinamento é, por um lado, desenvolvimento e aprimoramento da ação poética, e por outro criação de um repertório que servirá de matéria para a criação da cena. [volta]

(3) Utilizo persona em vez de personagem pela associação imediata deste último termo com o gênero realista.

Teatro é como ver um sonho alheio

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as ações da vida real são imitadas no teatro através do ator, é ele que vai tornar o sonho real

Viva o teatro da mente!

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Leia e viaje no universo da imaginação